EDUCAÇÃO
Escolas municipais participam do Festival de Teatro e Dança Afro (FestiAfro)
Realizado no Teatro Ferreira Gullar, evento contou com produções literárias, históricas e artísticas desenvolvidas ao longo do ano letivo pelas escolas públicas municipais, estaduais e federais
Publicado em: 21/10/2026 por Ana Maria Nascimento

Sete escolas municipais participaram do Festiafro 2026, com apresentações de teatro e dança que valorizam a diversidade cultural, o respeito e a luta contra o racismo. (Foto: Ceizão Júnior)
A Prefeitura de Imperatriz, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), participou, nesta segunda-feira (19), do Festival Afro de Teatro e Dança (Festiafro) 2026. O evento, promovido pela Unidade Regional de Educação de Imperatriz (UREI), foi realizado nas categorias teatro e dança no Teatro Ferreira Gullar. O projeto teve como objetivo incentivar a equidade social, racial, cultural e de gênero, além de incitar práticas pedagógicas, educativas e culturais antirracistas e humanizadas.
O secretário da Semed, Magno Ribeiro, destacou a importância da iniciativa. “O Festiafro cumpre um papel fundamental nas escolas, porque estimula a pesquisa, a leitura e a produção artística. Nossos alunos entram em contato direto com a riqueza do teatro, da música e da dança de raízes indígenas, africanas e afro-brasileiras, o que transforma a vivência escolar”.
O município foi representado pelas escolas municipais: Colégio Militar do Corpo de Bombeiros 2 de Julho (unidade 57, Frei Tadeu); Morada do Sol; Escola Municipal Maria das Neves Marques de Sousa, Machado de Assis; Domingos Moraes; Giovanni Zanni; e a Escola Vital Brazil.
As apresentações são o resultado de conteúdos trabalhados continuamente em sala de aula, atendendo às exigências das Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. A legislação alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) para tornar obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, em conformidade com a Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ).

A coordenadora de Promoção da Equidade Racial, Inês de Jesus, enfatizou que, além da obrigação legal do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena, a educação é o principal motor de mudança para combater o racismo estrutural no Brasil, promovendo a valorização, o respeito e a inclusão das populações negras e indígenas.
Entre as temáticas abordadas estão a história e cultura afro-brasileira, africana e indígena; a inclusão e pluralidade étnica, cultural, religiosa e de gênero; obras de autores afro-brasileiros, africanos ou indígenas; protagonismo feminino, direitos humanos, questões sociais; além de produções literárias e artísticas locais, regionais e nacionais.
A gestora da escola Giovanni Zanni, Késsia Moura, explicou que os alunos disputaram na categoria dança com oito componentes, mas apesar do número parecer pequeno os resultados foram expressivos em sala de aula com a redução do bullying e a conscientização da violência contra as mulheres. “É o primeiro ano deles na categoria dança, porque no teatro já fomos campeões, agora queremos conquistar esse título também. Para fortalecer o grupo, as turmas compareceram para apoiar a equipe na torcida. A música, interpretada por eles, é autoral e aborda temas atuais como a conscientização da violência contra as mulheres, a escravidão e o preconceito racial. Esse trabalho, inclusive, nos auxiliou bastante na redução do bullying no ambiente escolar”, afirmou.
Premiação
Os melhores trabalhos foram premiados com troféus, certificados de reconhecimento e premiações adicionais definidas pela Comissão Organizadora:
- Escola Municipal Morada do Sol
- Colégio Militar do Corpo de Bombeiros 2 de Julho
- Escola Municipal Giovanni Zanni
O representante do grupo vencedor, Isaque Benjamim, da escola Municipal Morada do Sol, falou sobre a sua percepção do projeto e de como impactou sua vivência escolar. “Participar de um projeto tão bonito, que promove a cultura local e traz o aluno ao teatro, realmente me transformou. É o meu segundo ano aqui e, como meu maior sonho é dançar pelo mundo, é um prazer imenso estar aqui. O projeto me motivou em sala de aula, já que uma das regras da escola para participar é manter todas as atividades escolares em dia, o que me deixou engajado nos estudos”, ressaltou.

A coordenadora do Giovanni Zanni, Lucimar Maciel, falou dos desafios da educação sobre o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena para a concretização do projeto. “Trabalhar com projetos culturais dentro das escolas, principalmente de bairros, encontramos muitas resistências e dificuldades; até mesmo chegar à escola é desafiador. A arte tem essa conexão com a educação e quando os alunos participam dessa cultura, você vê o fervor, a entrega deles. Por meio da arte, conseguimos melhorar alguns percentuais pedagógicos na escola”, pontuou.




