INCLUSÃO
Robótica educacional transforma rotina de alunos da EJA e amplia experiências de aprendizado em Imperatriz
Projeto da prefeitura já beneficia sete escolas municipais e desconstrói o receio tecnológico de adultos e idosos
Publicado em: 26/10/2026 por Ana Maria Nascimento

Alunos discutem atividades em aula de robótica na escola Maria das Neves Marques de Sousa (Foto: Kalyne Cunha)
A Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), está ampliando as experiências de aprendizagem com a robótica educacional para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal de Imperatriz. Objetivo é unir inovação tecnológica, pensamento computacional e inclusão social para desmistificar a tecnologia e abrir novas perspectivas profissionais para esse público.
Até o momento sete escolas do município que atendem à modalidade EJA foram contempladas. A Escola Frei Manoel Procópio, Paulo Freire, Maria das Neves Marques de Sousa, Eliza Nunes, Tia Emília, Presidente Costa e Silva e a escola Dolores de Carvalho. O trabalho desenvolvido é voltado para a realidade e as vivências dos estudantes, considerando a diversidade de conhecimentos prévios e utilizando ferramentas tecnológicas como aliadas no processo de ensino-aprendizagem.
Para o secretário da Semed, Magno Ribeiro, o principal objetivo da iniciativa é garantir que o acesso à tecnologia sirva como instrumento de inclusão e cidadania. “O que a gente está fazendo na EJA é um trabalho de inclusão. Tem muita gente que passou a vida inteira achando que tecnologia não era para ela. Ver um senhor ou uma senhora conseguindo programar um robô ou mandar um e-mail pela primeira vez muda a chave de como a pessoa se enxerga no mundo. Ela desenvolve a autonomia, a autoestima e o direito de pertencer ao nosso tempo”.
De acordo com o professor Shesman Renato, da Escola Maria das Neves Marques de Sousa, as aulas buscam promover a cidadania e resgatar a autoestima de jovens, adultos e idosos, que não tiveram a oportunidade de estudar na idade certa e muitas vezes se sentem à margem da sociedade. Ele explica que as atividades de robótica são realizadas no turno do aluno, trabalhadas na transversalidade e divididas em duas frentes. A modalidade plugada, que utiliza computadores, tablets, softwares e kits eletrônicos com internet ou energia para programar e automatizar robôs; e a desplugada, que ensina lógica e pensamento computacional sem o uso de telas ou eletrônicos, se baseando em materiais concretos como sucata, blocos, cartas e brincadeiras. “Sempre têm como foco levar a ideia de que esse pensamento computacional utilizado na robótica nada mais é que uma forma organizada de lógica de seguir um conjunto de instruções”, explica o professor.
Entre as atividades práticas de destaque relatadas pelo professor Shesman, a experiência com o uso do e-mail revelou dados surpreendentes sobre a inclusão digital. Ao diagnosticar a turma, o docente constatou que, mesmo entre os alunos mais jovens, apenas cerca de 10% sabiam o que era um e-mail ou já haviam enviado e recebido mensagens por meio da ferramenta. “Neste trabalho, eles foram divididos em grupos para registrar pesquisas com fotografias e enviar via e-mail para outra equipe. O membro que recebia a mensagem do grupo vizinho a encaminhava para os outros integrantes, que precisavam responder confirmando o recebimento”, detalha, destacando o grande entusiasmo e engajamento na prática comunicativa digital.

Além de promover o letramento digital, que vai muito além de apertar botões, ensinando o aluno a compreender, interpretar e criar com tecnologias de forma crítica, a robótica une raciocínio lógico e resolução de problemas reais por meio da montagem, programação e compreensão do funcionamento dos robôs, se articulando a projetos interdisciplinares que reforçam conteúdos curriculares fundamentais.
Na matemática, por exemplo, os cálculos de ângulos e giros de rodas permitem programar robôs para percorrer distâncias exatas. Em ciências e física, auxiliam no estudo de engrenagens, polias, conceitos de velocidade, gravidade e uso de sensores de luz ou presença. No idioma inglês, a interface dos kits estimula a familiarização com termos estrangeiros, enquanto o uso da Língua Portuguesa ajuda os alunos na interpretação de comandos textuais. O raciocínio lógico, desenvolvido através dos algoritmos de programação, também serve como um preparo inicial e qualificado para as exigências do mercado de trabalho tecnológico atual, conectando os estudantes a oportunidades em grandes indústrias e empresas da região.
De acordo com o coordenador de ciências e tecnologia da Semed, James Bonfim, o trabalho na EJA é direcionado principalmente para a robótica plugada, sem deixar de lado a robótica desplugada. O coordenador ressalta que, “a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação orienta justamente esse percurso para desmistificar o uso de hardwares, softwares e aplicativos avançados, combatendo o receio inicial diante de inovações tecnológicas”, relata.




